Andrago... o que?

Atualizado: 6 de Mar de 2019


A andragogia é basicamente "... a arte e a ciência de ajudar os adultos a aprender". Alexander Kapp e Eugen Rosenstock-Huessy desenvolveram teorias sobre educação de adultos, que mais tarde foram popularizadas por Malcolm Knowles - um teórico da educação de adultos.


Em 1833, Alexander Kapp introduziu originalmente o termo andragogia. A andragogia consiste em estratégias de aprendizagem voltadas para adultos. É frequentemente interpretado como o processo de envolver os alunos adultos na estrutura da experiência de aprendizagem.


Segundo Kapp (1833), para um adulto aprender é preciso de auto-reflexão e ter objetivos claros de aprendizagem, cabendo a ele próprio identificar quais os conhecimentos lhe agregam valores pessoais e/ou profissionais, facilitando o interesse em continuar aprendendo ao longo da vida.




Malcolm Knowles (Decada 45 a 70)


Um nome que ficou para a história foi o de Malcolm Knowles (1913-1997), conhecido como o ‘Pai da Andragogia’. Por volta de 1945 passou a publicar artigos sobre o tema e na década de 70 virou referência mundial na educação de adultos. Muitos educadores utilizavam os princípios andragógicos de Knowles nas salas de aulas e com base neles, novas teorias surgiram.


O que o americano fez pela Andragogia foi popularizar o termo e fazer com que todos os continentes soubessem que existe diferença no ensino de crianças e no de adultos, e consequentemente, entre conceitos pedagógicos e andragógicos. (Sugiro a leitura do livro The Adult Learner)


Princípios da Andragogia by Knowles


1. Necessidade de saber


Por que você está me ensinando isso?

Adultos precisam saber por que necessitam aprender algo antes de começar a aprendê-lo. Por isso, a primeira tarefa do facilitador é ajudar os aprendizes a se conscientizarem da “necessidade de saber”.


Algumas ferramentas para aumentar o nível de conscientização ou a necessidade de saber são as experiências reais ou simuladas em que os aprendizes descobrem por si mesmos suas lacunas de conhecimento. Sistemas de avaliação de pessoal, rotação de funções, contato com modelos e avaliações de desempenho são alguns exemplos dessas ferramentas.


2. O autoconceito do aprendiz


Como posso ser independente e aluno?

Os adultos possuem um autoconceito de ser responsáveis pelas próprias decisões, pelas próprias vidas.


Dessa forma, desenvolvem uma profunda necessidade psicológica de serem vistos e tratados pelos outros como capazes de se autodirigir. Eles se ressentem e resistem a situações nas quais percebem que os outros estão impondo suas vontades sobre eles.


Isso traz um sério problema para a educação de adultos, pois o adulto, quando participa de alguma atividade educacional ou treinamento, regride ao condicionamento de suas experiências escolares anteriores, coloca o chapéu da dependência, cruza os braços, encosta-se na cadeira e diz “me ensine”.


3. O papel das Experiências


Minhas experiências são a base do meu aprendizado.

Os adultos se envolvem em uma atividade educacional com um volume maior de experiências de qualidade diferente em relação aos mais jovens. Simplesmente por terem vivido mais, eles acumularam mais experiência, o que acarreta consequências para a educação de adultos.


4. Prontidão para aprender


Qual problema vou resolver com isso que você quer que eu aprenda?


Os adultos têm predisposição para aprender aquilo que devem saber e precisam para se tornar capacitados para enfrentar as situações da vida real. Uma fonte particularmente rica de “prontidão para aprender” são as tarefas associadas à passagem de um estágio de desenvolvimento para o próximo.


5. Orientacão para a aprendizagem


Estou aprendendo matérias ou ganhando ferramentas?


Em comparação com a orientação para aprendizagem de crianças e jovens, centrada no tema (pelo menos no ensino fundamental e médio), os adultos são centrados na vida (ou centrados na tarefa ou no problema) quanto à sua orientação para aprendizagem. Os adultos são motivados a aprender conforme percebem que a aprendizagem os ajudará a executar tarefas ou lidar com problemas que vivenciam em sua vida.


6. Motivação


E daí que isso cai na prova...

Os adultos respondem a fatores motivacionais externos (melhores empregos, promoções, salários mais altos), porém os fatores motivacionais mais poderosos são as pressões internas (o desejo de ter maior satisfação no trabalho, autoestima, qualidade de vida). Pesquisas constataram que adultos normais são motivados a continuar a crescer e se desenvolver.


A Andragogia é uma ciência cada vez mais estudada e que, certamente, traz insights valiosos sob diversas perspectivas, sejam elas profissionais ou acadêmicas.


Pensar o design das suas experiências de aprendizagem considerando os princípios acima, pode potencializar o poder de engajamento e aprendizagem dos seus estudantes. Importante reforçar que a integração dos elementos que compõe os processos de ensino e aprendizagem durante uma experiência, é fator crítico de sucesso da experiência.


Até o próximo post!


Referencias:

1. Pocket Learning 3 - Andragogia: aprendizagem efetiva para adultos (https://issuu.com/labssj/docs/pocket3_andragogia/17)

2. Vogt(2007) - http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/5300/1/TESE%20-%20Maria%20Saleti%20Lock%20Vogt.pdf

3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Andragogia

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