Aprendizagem personalizada: um caminho para a tão sonhada autonomia estudantil

O sonho de muitos educadores é que o estudante assuma a responsabilidade pela construção da sua própria trajetória de aprendizagem, não é mesmo? Pelo menos é o nosso, da SL21, e imagino que seja o seu também.


Para possibilitar tal autonomia, a personalização do processo de aprendizagem é um pilar fundamental. Essa abordagem centrada no aluno, embora esteja ganhando bastante expressão ultimamente, vem sendo discutida há muito tempo.


Antigamente, quando a educação passou a ser mais acessível, os estudantes eram tratados de maneira igual. O mesmo conteúdo e livros didáticos eram distribuídos a todos. Essa estrutura foi utilizada pelas escolas por muito tempo.


Porém, começou-se a notar que os estudantes não eram iguais e iniciou-se, então, um processo de agrupamento ou diferenciação. Daí surgiu a classificação por idade, talentos ou problemas de aprendizagem, e a preparação de material adequado a cada um dos grupos - modelo vigente e ainda bastante praticado pelas escolas ao redor do mundo. O pilar mestre de intervenção individualizada ou baseada na diferenciação é uma entidade externa (instituição e professor) que direciona os caminhos a serem seguidos pelos aprendizes.


Na personalização dos processos de ensino e aprendizagem, por outro lado, assume-se que o aprendiz, por si só, organize, realize e modifique o processo de aprendizagem. Tal conceito da década de 70, quando o pedagogo espanhol Víctor García Hoz começou a escrever e disseminar o termo e suas bases: singularidade, autonomia e abertura. Esses são os pilares que estruturam a personalização da educação, permitindo o desenvolvimento de cada estudante, conforme sua habilidade, interesse e ritmo, fazendo com que exercitem sua liberdade de escolha e habilidades de comunicação (García, 1972).


Desde então, o termo personalização tem ganhado diferentes definições, algumas delas tendo como foco o ajuste do conteúdo às necessidades individuais dos estudantes; outras, ressaltando a possibilidade de explorar o potencial máximo dos aprendizes.


De modo geral, essa abordagem se refere à consciência do processo de aprendizagem, à habilidade para aprender por conta própria e à seleção das coisas que quer aprender. Nesse sentido, a aprendizagem personalizada vai além do contexto educacional e segue por toda a vida, dando origem ao termo bastante difundido recentemente que é o lifelong learning ou aprendizagem ao longo da vida.


Esse conceito inclui, além do conteúdo específico de uma área de conhecimento, os contextos social, emocional, pessoal e profissional. Logo, o papel do professor muda da perspectiva de transmissor do conhecimento para organizador e facilitador do processo de aprendizagem. Ajudar os estudantes a desenvolver o autoconhecimento, apresentar ferramentas de suporte, promover a socialização do processo de aprendizagem e despertar a capacidade de aprender a aprender são novas competências que o professor precisar expandir e praticar.




Como aplicar a aprendizagem personalizada


Para te auxiliar no entendimento e na implementação dessa abordagem educacional, partilho abaixo algumas estratégias que podem ser aplicadas:


1. Aprendizagem orientada a processos


A aprendizagem personalizada requer que movamos da ênfase em eventos de ensino isolados e fragmentados para uma abordagem holística de aprendizagem. Considerar os aprendizes à luz das suas experiências de vida, do seu conhecimento prévio, do potencial existente e das suas necessidades é uma mudança radical no processo de ensinar e aprender.


Adotar uma perspectiva orientada a processo requer do professor uma mudança na sua forma de ensinar. Nesse novo contexto, o educador assume uma postura de designer, estrategista e facilitador.


Do outro lado, tem o aprendiz, que precisa assumir a responsabilidade que sempre foi e será dele, que é a de se autoconhecer e saber qual o melhor caminho a seguir.


Um exemplo de aprendizagem orientada a processos foi criado por Roger Bybee do Centro Educacional da BSCS (Biological Science Curriculum Study), nos Estados Unidos. Nomeado como 5E Model, o modelo envolve 5 etapas: engajamento, exploração, explanação, elaboração e avaliação.


2. Identificação do estilo de aprendizagem


Todas as pesquisas e produções ao redor do tema personalização na educação têm como princípio a aprendizagem centrada na pessoa. Isso significa que a experiência de aprendizagem deve envolver toda a complexidade inerente ao ser humano. Dito de outra forma, a educação deve considerar nossa singularidade!


A partir desse entendimento, fica fácil perceber como algumas pessoas preferem estudar à noite, quando outras preferem nas primeiras horas do dia, ou outras particularidades.


O número de variáveis envolvidas é enorme, e tentar mapear todo o conjunto é impossível. Mas isso não quer dizer que não possamos selecionar alguns eventos importantes e, a partir dos dados coletados, melhorar a experiência de aprendizagem dos estudantes.


Diante desse cenário, realizar um mapeamento dos estilos de aprendizagem pode ajudar na criação de caminhos de aprendizagem mais adaptados às necessidades e expectativas dos estudantes. O teste VARK é uma ferramenta que eu uso com meus alunos e pode te ajudar. Clique aqui para acessar o teste!


Além dessas estratégias, para personalizar a aprendizagem, também é possível usar a tecnologia para produção, coleta, análise de dados e tomada de decisão, usar algoritmos inteligentes para adaptar o processo de aprendizagem às singularidades dos estudantes, usar dispositivos móveis ou redesenhar os espaços de aprendizagem.


Ao adotar as práticas de personalização, você estará contribuindo para que os estudantes possam organizar, reorganizar, realizar e modificar o processo de aprendizagem de acordo com o avanço. Mais, você estará contribuindo para que o estudante possa aprender a aprender, se tornar um aprendiz autônomo!


Com as dicas acima, tenho certeza que será possível realizar ajustes, pequenos ou grandes, e tornar seu curso, treinamento ou qualquer outro processo de ensino e aprendizagem em uma experiência ainda mais enriquecedora, tanto para você como para seus aprendizes.


Teste, colete feedbacks e ajuste ao seu contexto, depois nos conte como foi sua experiência em promover uma aprendizagem.


Até o próximo post!

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