O poder da colaboração: como promover e manter o engajamento e a motivação dos estudantes

Atualizado: 28 de Dez de 2018


A habilidade de cooperar com as outras pessoas e de desenvolver relacionamentos positivos é decisiva no mundo atual. Ao trabalharmos juntos, combinamos nossa contribuição com a de outros e, assim, provemos a inteligência coletiva. Nesse sentido, eu diria ainda mais: a colaboração é condição para nos movermos da ação individual isolada para o trabalho coletivo e próspero.


Entre os benefícios da colaboração nos processos de ensino e aprendizagem, estão: desenvolvimento das habilidades sociais, da empatia (aptidão para entender e acolher diferentes pontos de vista), da comunicação oral, entre outras.


Para te ajudar no design de experiências que promovam a colaboração entre os participantes (professor-professor, professor-aluno, aluno-aluno, professor-coordenador), partilho abaixo 3 abordagens que podem ser utilizadas, considerando suas vantagens e os desafios a serem observados.




1. Ensino por pares


Método de ensino/aprendizagem interativo, difundido nos anos 90 por Eric Mazur, professor da Universidade Harvard. Tem como base os modelos de aprendizagem ativa e invertida, separando o que é realizado fora e dentro da sala de aula. Nesse modelo, o estudante entra em contato com o conteúdo antes da aula, reforçando seu entendimento do material estudado por meio de atividades de prática e reflexão.


Durante o momento presencial, é aplicada uma sequência de atividades que levam os estudantes a refletirem individual e coletivamente até que o tema estudado seja compreendido pela maioria.


Vantagens

  • Promove a colaboração ativa de todos os participantes

  • Promove o desenvolvimento do pensamento crítico

  • Contribui para o desenvolvimento da empatia e da escuta ativa

  • Desenvolve habilidades de comunicação e relacionamento interpessoal, responsabilidade e autoconfiança.


Desafios

  • Preparar estudantes e professores para transitar ao novo modelo

  • Motivar os alunos a executar atividades extraclasse

  • Promover o engajamento contínuo dos alunos com o novo processo


2. Aprendizagem invertida


É um modelo pedagógico de abordagem holística para potencializar o compromisso e o envolvimento do aluno nos processos de ensino/aprendizagem, bem como permitir que o professor pratique um processo educativo mais individualizado, enquanto promove a socialização e partilha entre os estudantes.


O espaço da sala de aula também é ressignificado, pois o conteúdo deixa de ser exposto verbalmente pelo professor e é disponibilizado em difentes formatos e meios para que os estudantes entrem em contato com o tema quando e onde for mais adequado.


Conforme John Bergman, como metaestratégia pedagógica, a aprendizagem invertida pode ser considerada um “sistema operacional”, no qual os aplicativos são instalados e se espera haver certa harmonia. Essa analogia é interessante, pois podemos olhar para as diversas metodologias ativas de aprendizagem existentes como “aplicativos” que devem se conectar a uma sistema operacional para ter vida.


Vantagens

  • Contribui para a realização dos objetivos de aprendizagem

  • Promove o engajamentos dos estudantes

  • Possibilita a diferenciação ou a personalização da aprendizagem, uma vez que o professor tem mais tempo e recursos para avaliar o progresso da turma

  • Promove uma cultura de disciplina e de compromisso

  • Como metaestratégia, faz com que toda a experiência da aprendizagem seja pensada previamente, o que aumenta as chances de antecipar pontos críticos no processo


Desafios

  • Desenvolver um modelo mental completamente diferente nos professores e nos alunos

  • Respeitar o tempo necessário para a transição

  • Oferecer suporte institucional para investimentos em tecnologia e formação docente

  • Manter o processo o mais simples possível e gerar valor o quanto antes


3. Construção colaborativa do projeto de ensino e aprendizagem


Em um mundo onde os conceitos e as práticas do Design se tornaram a nova realidade, desenhar experiências de aprendizagem sem incluir as principais partes interessadas (estudantes, professores e o próprio mercado) pode representar um investimento cujos benefícios esperados podem tardar a aparecer ou, até mesmo, não ocorrer.


Envolver alunos e demais colegas na construção de projetos de aprendizagem é condição para uma experiência de melhor qualidade e significativa. Porém, retomando a ideia do sistema operacional, se não houver uma linguagem comum como base, qualquer iniciativa de construção coletiva pode resultar em desperdício de tempo e de recursos, sem levar ao objetivo maior, que é a aprendizagem significativa.


Uma contribuição para contornar esse obstáculo surge de pesquisadores como Dee Fink, que tem trabalhado no desenvolvimento de um modelo mental integrado e holístico do processo de ensino e aprendizagem.


Inspirado na proposta desse sistema e apoiado em outras teorias, metodologias e tecnologias, venho trabalhando na abordagem DEA (Design de Experiências de Aprendizagem), cuja finalidade é servir como orientação e linguagem comum para o desenvolvimento de projetos de aprendizagem que assegurem o sucesso do aprendiz.


Vantagens

  • Promove o engajamento dos professores na construção de experiências de aprendizagem integradas

  • Permite o desenvolvimento de projetos de aprendizagem alinhados com o currículo e competências a serem desenvolvidas

  • Fornece trilhas de aprendizagem claras e objetivas para acompanhamento pelo aprendiz

  • Assegura a coleta estruturada dos dados gerados a partir das interações do aprendiz com as atividades de desenvolvimento e avaliação


Desafios

  • Desenvolver um modelo mental completamente diferente nos professores

  • Respeitar o tempo necessário para a transição

  • Criar um espaço comum para comunidades de prática e aprendizagem

  • Oferecer suporte institucional para investimentos em tecnologia e em formação docente


As abordagens mencionadas acima são algumas das várias possibilidades existentes atualmente para promover a aprendizagem a partir da colaboração entre os participantes, pois é fato que continuar utilizando somente métodos de repasse estático e passivo de informações não faz mais sentido.


Cabe a você usá-las, testá-las e ver como cada uma se encaixa nas suas experiências de ensino e aprendizagem.


E aí, conte para nós suas experiências relacionadas à colaboração!


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